Violência nas escolas do Brasil

Avanço escolar tímido no Brasil tende a piorar violência juvenil

ÉRICA FRAGA – DE SÃO PAULO 05/07/2015 02h00

A estagnação no processo de inclusão dos jovens brasileiros na escola em anos recentes pode contribuir para uma piora na tendência de violência nessa fase.

A relação entre menores de idade e criminalidade está no centro do debate público no Brasil por causa da proposta em tramitação no Legislativo de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Especialistas em crime e em educação defendem que a discussão leve em consideração mais evidências e dados sobre os fatores que influenciam o envolvimento de jovens com a violência.

Pesquisas mostram, por exemplo, que o aumento da escolaridade favorece a queda da criminalidade.

Um estudo dos economistas Daniel Cerqueira (Ipea) e Rodrigo Moura (FGV) revela que a cada 1% de aumento na parcela de adolescentes de 15 a 17 anos que frequentam a escola, os homicídios registrados em um município caem 5,8%.

O problema é que o avanço no aumento da escolaridade dessa faixa etária -adequada para o ensino médio- perdeu fôlego no país.

Editoria de Arte/Folhapress

Cerca de 17% dos adolescentes de 15 a 17 anos ainda estavam fora da escola em 2013. Dificilmente, o país vai alcançar a meta de universalizar o acesso desses jovens à educação até 2016.

A maior frequência escolar diminui as chances de envolvimento com a violência, pois limita o tempo passado na rua e aumenta a perspectiva de renda futura.

Segundo o economista Fernando Veloso (FGV), o avanço no uso de novas tecnologias tem tornado a educação ainda mais imprescindível: “O que importa cada vez mais é a capacidade de adaptação, de comunicação, a criatividade. Maior escolaridade e educação de qualidade são fundamentais para desenvolver essas características”, afirma.

Os jovens que não adquirem essas habilidades têm dificuldade crescente de se inserir no mercado de trabalho.

Por isso, segundo especialistas, a estagnação do avanço escolar no Brasil é ainda mais preocupante devido ao contexto atual de aumento da vulnerabilidade dos adolescentes à violência.

Os homicídios foram responsáveis, em 2013, por 46% das mortes de menores de 16 e 17 anos no país, contra 9,7% em 1980, segundo dados recentes do Mapa da Violência.

O salto relativo é, em parte, explicado pela queda das mortes por causas naturais, mas também pela explosão da violência envolvendo essa faixa etária.

O número absoluto de óbitos de adolescentes de 16 e 17 anos por homicídios se multiplicou por mais de sete entre 1980 e 2013, saltando de 506 para 3.749.

Segundo o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Violência, a disparada das mortes de jovens por causas violentas está ligada, entre outros fatores, ao lento avanço educacional. Para o especialista, esse deveria ser o principal foco do debate público sobre o tema.

“O jovem mais vulnerável não encontra inserção na sociedade, no mercado de trabalho”, diz Waiselfisz, que é pesquisador da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais).

RENDA E VIOLÊNCIA

Segundo o movimento Todos pela Educação, apenas 31,4% dos jovens vindos de famílias que estão na faixa dos 25% mais pobres da população conseguem terminar o ensino médio aos 19 anos.

São justamente esses adolescentes com baixa escolaridade que mais sofrem com violência. Os jovens de 16 e 17 anos com quatro a sete anos de estudo representavam, em 2013, 24% da população nessa faixa etária, mas foram vítimas de 62% dos homicídios.

Editoria de Arte/Folhapress

A falta de dados oficiais –como mostrou reportagem publicada na Folha no início de junho– não permite dimensionar a participação de menores como autores de crimes violentos no Brasil.

Mas, segundo pesquisadores, estudos internacionais mostram que os jovens normalmente estão nas duas pontas da violência.

Um aumento em sua taxa de mortalidade causada por crimes normalmente é acompanhada por seu maior envolvimento com delitos.

“Os jovens costumam estar nos dois lados da história, como vítimas e como perpetradores”, diz Cerqueira.

O texto aprovado pelos deputados na quinta (2) prevê reduzir a maioridade penal de 18 anos para 16 anos em caso de crimes hediondos (como estupro e sequestro), homicídio doloso (com intenção de matar) e lesão corporal seguida de morte.

A proposta ainda terá de passar por outra votação antes de ir para o Senado.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/07/1651834-avanco-escolar-timido-no-brasil-tende-a-piorar-violencia-juvenil.shtml

Segurança é item pior avaliado por crianças e adolescentes em São Paulo

ADRIANO QUEIROZ – COLABORAÇÃO PARA A FOLHA – 23/07/2015 19h29

Essa foi a média das notas que jovens, entre 10 e 17 anos, deram ao quesito na capital, segundo a pesquisa Irbem (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município).

O estudo foi realizado entre os dias 13 e 30 de junho pela organização Rede Nossa São Paulo, em parceria com o Ibope Inteligência e com os institutos Alana e C&A. A margem de erro é de três pontos percentuais.

O item melhor avaliado, por outro lado, foi o acesso à internet, que recebeu 7,9 dos habitantes da capital paulista nessa faixa etária.

Educação (7,3), relações humanas (7,1) e moradia (6,8) também ganharam boas avaliações.

Além da segurança, foi mal avaliada a questão ambiental (5,3), a estética da cidade (5,3) e a mobilidade urbana (5,8).

Foram ouvidas 805 crianças e adolescentes de todas as regiões paulistanas.

MEDOS

No que se refere aos motivos pelos quais a segurança na cidade é mal avaliada, os jovens que participaram da pesquisa também apontaram quais pontos lhes trazem maior sensação de medo.

Os assaltos e roubos aparecem no topo da lista. Cerca de 61% das crianças e adolescentes de São Paulo temem sofrer esse tipo de violência. O tráfico de drogas assusta 33% dos jovens.

A polícia também aparece como fonte de temor de 20% dos entrevistados. Além disso, a pesquisa revela ainda que o modo como as pessoas são tratadas pelos policiais recebeu nota 4,3.

Por outro lado, a escola aparece como o local onde crianças e adolescentes se sentem mais seguros. A segurança nesse ambientes recebeu nota 6,3.

ATIVIDADES

O levantamento também apurou quais são as principais atividades praticadas quando meninos e meninas não estão na escola.

Segundo a pesquisa, 90% dos jovens declararam usar a internet. Os smartphones e aparelhos celulares, de um modo geral, são o meio de acesso mais utilizado, sendo indicado por 76% deles.

Fora do mundo virtual, as duas atividades mais citadas pelas crianças e adolescentes foram praticar futebol (20%) e assistir televisão ou DVD (20%).

Nesses quesitos, contudo, a pesquisa encontrou diferenças significativas entre meninos e meninas. Enquanto 38% deles relatou jogar bola, apenas 1% das garotas disse fazer o mesmo.

Já quando perguntados sobre ajuda nas tarefas domésticas, a situação quase se inverte. Apenas 6% dos meninos afirmaram ajudar nessas atividades, contra 29% das meninas, a atividade mais praticada por elas.

Caso a cidade de São Paulo recebesse um boletim escolar feito pelas crianças e adolescentes que vivem nela, a nota mais baixa seria dada à “segurança e proteção”: 5,1 em uma escala de 1 a 10.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/07/1659614-seguranca-e-item-pior-avaliado-por-criancas-e-adolescentes-em-sao-paulo.shtml

Quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo

Cenas de alunos brigando entre si, agredindo professores ou sendo atacados por profissionais que deveriam ensiná-los são cada vez mais comuns nas redes sociais e em noticiários da TV.

Os casos acontecem desde os anos 1990 – quando surgiram as primeiras discussões de especialistas sobre o assunto – e estão relacionados com o aumento da criminalidade nas grandes cidades, verificado na mesma época.

Na última década, contudo, os registros tornaram-se mais frequentes, além de ganharem notoriedade graças à divulgação na internet, em sites como o YouTube e o Facebook. Os vídeos são disseminados, muitas vezes, pelos próprios jovens envolvidos nas agressões, como forma de conquistar status junto aos colegas.

O crime mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando doze adolescentes com idades entre 12 e 14 anos foram mortos a tiros na escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro do Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. O atirador, Wellington Menezes de Oliveira, era um ex-aluno que teria sido vítima de bullying.

Segundo a pesquisa mais recente sobre o assunto, divulgada em 9 de maio, quatro em cada dez professores já sofreram algum tipo de violência em escolas do Estado de São Paulo. O levantamento, realizado pelo Instituto Data Popular e a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), entrevistou 1.400 docentes da rede estadual de 167 cidades.

Os dados comprovam o que educadores já sabiam: a fronteira entre a escola e a violência das ruas deixou de existir. Vandalismo, agressões, confronto entre gangues, roubos, tráfico e até assassinatos passaram a fazer parte da rotina escolar.

De acordo com a pesquisa, intitulada “Violência nas escolas: o olhar dos professores”, 72% dos professores já presenciaram briga de alunos, 62% foram xingados, 35% ameaçados e 24% roubados ou furtados. A situação é pior em bairros de periferia, onde 63% dos profissionais consideram a escola um espaço violento. A insegurança no trabalho, de acordo com os coordenadores do estudo, é comum entre os docentes.

Mas, porque a escola deixou de ser uma referência de segurança e de futuro melhor para crianças e adolescentes para se tornar um ambiente de medo?

Na opinião dos professores entrevistados (42%), as razões estariam no uso de drogas por parte dos alunos. O tráfico, muitas vezes, acontece dentro dos próprios estabelecimentos de ensino.

Psicólogos e pedagogos apontam ainda a educação recebida em casa. Os pais são muito permissíveis em relação o comportamento dos filhos ou muito agressivos. De qualquer forma, de acordo com especialistas, a falta de valores familiares seria um dos motivos da violência.

Apontam-se, também, fatores como a exclusão social a falta de perspectiva em relação ao futuro profissional e acadêmico. A educação, nesse sentido, deixou de ser uma alternativa ao ciclo de pobreza e desagregação familiar vivido por estudantes de periferias.

Entretanto, uma pesquisa mais abrangente, publicada pela Unesco em 2003, concluiu que nenhuma dessas explicações, isoladas, respondem à questão. É preciso, de acordo com a Unesco, analisar um conjunto de causas externas (como o fácil acesso a armas e drogas no entorno das unidades de ensino) e internas, que interagem entre si.

Entre os aspectos internos são apontados a falta de segurança nas escolas e o descontentamento de alunos com a disciplina, a estrutura e a qualidade de ensino. Segundo a Unesco, a violência é uma das principais razões para o abandono dos estudos.

Para especialistas, programas educativos que envolvam a comunidade e discutam o tema com alunos e familiares apresentam resultados positivos na redução da violência nas escolas. Os governos investiram, ao longo dos anos, em rondas escolares, sistema de vigilância por câmeras e proteção dos prédios com muros altos, grades e cadeados. Também são promovidos eventos, palestras e oferecidos cursos de mediação de conflitos em escolas públicas para educadores.

A violência nas escolas, infelizmente, é apenas um dos aspectos da violência no país. Outros já foram abordados aqui no passado. Desses, selecionamos dois relativamente recentes, que vale a pena rever, para contextualizar o problema escolar no âmbito nacional. É importante também relembrar a questão do bullying, para saber com precisão o que isso significa e como o assunto é tratado no Brasil.

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