Estudantes brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo

Estudantes brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo – Conexão – Canal Futura

Estudantes brasileiros estão entre os mais ansiosos do mundo – Conexão – Canal Futura Segundo a OCDE, os jovens do nosso país estão entre os mais ansiosos do mundo, ficando atrás somente dos costa-riquenhos. Por que os estudantes brasileiros sofrem de ansiedade? Entrevistados: Eliane Lannes, assessora educacional do Colégio Logosófico Gonzáles Pecotche; e Ana Maria Ferreira Pinto, psicanalista. Apresentação: Eliane Benício Exibição: 20 de junho de 2017

Fonte:
https://www.youtube.com/watch?v=O_naB56KmBU

Índices de ansiedade estão altíssimos em escolas brasileiras

Um levantamento gigante aponta que o Brasil é um dos países com mais alunos ansiosos e tensos

Por Ana Luísa Moraesaccess_time20 fev 2019, 11h37 – Publicado em 5 set 2017, 09h16chat_bubble_outlinemore_horiz

estresse na escola

Brasil é um dos campeões quando o assunto é estresse e ansiedade em sala de aula. (Foto: Alex Silva/A2 Estúdio)

O nervosismo gerado pelo ambiente escolar impacta bastante a saúde mental de crianças e adolescentes. Por aqui, a questão é especialmente séria.

Segundo o novo relatório do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês), os alunos brasileiros estão entre os que ficam mais estressados durante os estudos — 56% dos entrevistados relataram o problema. Nossos jovens também ocupam o segundo lugar no ranking dos ansiosos para as provas, mesmo quando se preparam.

Como o levantamento levou em conta mais de meio milhão de estudantes de 72 países, os resultados são alarmantes. A psicóloga Maria Clara Nassif, de São Paulo, diz que identificar esse abalo é fundamental. Para isso, os pais precisam ficar atentos: “Se o aluno se esforça muito e mesmo assim não consegue ir bem, é sinal de que algo está errado”, frisa.

ansiedade na escola

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 (Foto: IS/iStock)

Para manter a cabeça no eixo

É possível recorrer a algumas medidas para amparar os filhos

Orientação pedagógica

A escola é crucial na hora de ajudar o aluno a trabalhar o estresse e a ansiedade. Peça auxílio à coordenação.

Boas noites de sono

Os jovens precisam de mais tempo de descanso. Noites mal dormidas aumentam o cortisol, hormônio do estresse.

Exercícios físicos

Eles são benéficos em todos os aspectos da vida do estudante, inclusive para combater a preocupação excessiva.

Mindfulness

A técnica de atenção no presente doma o nervosismo. Mas, caso a criança não se interesse, não force.

Fonte:
https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/ansiedade-estresse-altos-escolas-brasileiras/?fbclid=IwAR3wtajj28_tfcRT3SRNlBM6SzWo8VR0gdacXXZIc_-TkLnQ9UsrUfPbJUw

Como lidar com a ansiedade na escola?

Para o psicólogo americano Philip Kendall, os professores deveriam prestar mais atenção aos alunos ansiosos

TORY OLIVEIRA 22 de outubro de 2015

Menina com ansiedade
Crianças muito ansiosas tem mais chance de apresentar transtornos na vida adulta

Crianças que sofrem de muita ansiedade não costumam ser vistas como um problema na escola. Para o psicólogo Philip Kendall, porém, professores e pais precisam prestar mais atenção aos sinais de alto nível de ansiedade em seus alunos e filhos.  “A ansidade por vezes passa despercebida. Mas, se nada for feito, o problema aparece depois”, afirma o professor da universidade norte-americana de Temple, na Filadélfia.

Segundo Kendall, crianças ansiosas tendem a apresentar mais chance de desenvolver transtornos de ansiedade ou depressão na vida adulta. O psicólogo conversou com Carta Educação em Porto Alegre (RS), onde ministrou um curso sobre o tema no I Congresso Wainer de Psicoterapias.*

Carta Educação: As causas da ansiedade são conhecidas? Por que algumas pessoas são ansiosas e outras não?

Philip Kendall: Existe uma resposta simples: não. Mas temos algumas indicações e evidências de que a ansiedade é parte biológica, parte cognitiva e parte relacionada ao meio em que se vive. Assim, uma criança pode ter um pai ansioso, mas não ser ansiosa e vice versa. Não é automático. Da mesma forma, não é porque você teve uma experiência assustadora quando criança que automaticamente se tornará uma pessoa ansiosa. Quando olhamos não para a causa, mas para aquilo que mantêm as crianças ansiosas, aí temos temos mais propriedade. As famílias, os professores e o meio em que a criança vive têm um papel importante tanto em manter a ansiedade indesejada quanto na sua redução.

CE: Como a escola ou o professor pode identificar um aluno ansioso?

PK: Há uma notícia boa e outra ruim. Na verdade, crianças moderadamente ansiosas costumam ser boas alunas: elas são motivadas, obedientes, fazem a lição de casa e se importam. Por isso, o professor não costuma identificá-la como um problema, até porque ela não é. Mas uma forma de identificar um caso de ansiedade extrema é observar o que a criança evita. Quando uma criança diz: “Eu não posso fazer isso porque estou com medo”, isto é, quando o medo torna-se uma justificativa para não realizar alguma atividade. Existem testes e entrevistas, mas eles levam tempo. Acredito que o melhor sinal para o professor é se perguntar: “a criança está evitando alguma coisa?”  

CE: Por que é importante para o professor se importar com o nível de ansiedade de seus alunos?

PK: A maioria dos adultos e dos professores estão preocupados com crianças que inflingem a lei, roubam, carregam armas, etc. Tendemos a não nos preocupar com crianças ansiosas porque elas não nos incomodam. Mas, na verdade, quando eles não interagem com seus pares, estão mais propensos a  desenvolver, mais tarde, problemas psicológicos. A ansiedade é por vezes passa despercebida e, outras vezes, não é dada a devida atenção a ela. Mas, se você não fizer nada, o problema vai aparecer depois. Crianças ansiosas tem uma maior probabilidade de sofrer transtornos de ansiedade, maior probabilidade de desenvolver depressão, abuso de substância e suicídio na idade adulta. Se você tratar as crianças, pode reduzir esses problemas nos adultos.

CE: A ansiedade interfere na aprendizagem?

PK: Níveis muito baixos de ansiedade não são positivos, pois a criança pode dizer: “Eu tenho um teste importante amanhã, mas não me importo”. Níveis altos também não são bons. O que é melhor é o intermediário, isto é, a ansiedade moderada. A ansiedade moderada é bastante funcional. A ansiedade interfere na aprendizagem? Quando é muita alta, sim. Quando é moderada, na verdade, ela ajuda.

CE: Então a ansiedade em si não é uma coisa ruim.

PK: Sim, ela só é nociva se for muito intensa.

CE: O senhor afirmou que pais e professores tendem a fazer ajustes quando lidam com crianças ansiosas. Por que isso, ao contrário do que diz o senso comum, não é bom?

PK: Quando um pai ou mãe fica emocionalmente abalado ao ver a criança muito ansiosa ou chateada, a solução mais rápida é eliminar a causa da ansiedade na criança. Por exemplo, a criança tem medo de andar de carro, então você anda com ele de ônibus. É uma solução rápida, mas, com o tempo, ela na verdade piora a situação. Os efeitos de curto prazo desses ajustes é reduzir instantaneamente a angústia da criança mas, no longo prazo, os efeitos são indesejados. Isso torna cada vez mais difícil para a criança andar de carro, porque eles sentem que não são capazes de fazê-lo. Eles se tornam convencidos de que não conseguem.

CE: A superproteção de uma criança também contribui para agravar os casos de ansiedade?

PK: Sim. Na vida, você aprende na escola, por meio de seus pais e com seus erros. Se você não comete nenhum erro, você não aprende. Se você passa 10 anos da  sua vida com a mamãe e o papai te protegendo de tudo, quando algo der errado você não saberá o que fazer. Se os seus pais não deixam você interagir com seus amigos para te proteger, quando você precisar fazer algo que os envolva, você não saberá como agir. A superproteção cria uma criança que não está preparada para a vida adulta.

CE: As pessoas estão mais ansiosas hoje do que há 100 anos?

PK: Sim. A tendência atual é ir na direção errada. Na minha infância você ia para a escola, lá brincava e depois provavelmente fazia esportes ou tocava um instrumento musical – mas tudo era organizado pelas crianças. Hoje em dia, especialmente nos Estados Unidos, os pais organizam a brincadeira das crianças. As crianças não brincam, eles tem “playdates”. Em vez de se reunirem como crianças e inventarem um jogo, eles tem pais que dizem qual será o jogo e quais regras precisam ser seguidas. As crianças estão sob controle parental até quando deveriam estar só brincando. A brincadeira deveria acontecer livremente, sem a interferência dos adultos, brincar é saudável, é bom para as crianças, é assim que eles aprendem a se relacionar com os outros. Quando a brincadeira é muito organizada, você retira um estágio importante do desenvolvimento mental.

CE: E no longo prazo? As pessoas se tornam mais ansiosas?

PK: Um pouco mais ansiosas, e também mais isoladas.

CE: Que tipo de comportamento da parte do professor pode aumentar o nível de ansiedade nos alunos?

PK: A impossibilidade de prever eventos e a impunidade. Na vida, nós podemos nos tornar menos ansiosos quando é possível minimamente fazer previsões e controlar a situação. Quando você sabe que horas é preciso ir para algum lugar ou sabe que o Sol vai se levantar amanhã, por exemplo. O que torna as as pessoas mais ansiosas é quando não é possível prever. E se você não soubesse se amanhã terá emprego ou se haverá comida em sua mesa? A imprevisibilidade nos deixa com a senção de “o que eu vou fazer”? Quando pais e professores são explosivos, gritam, e esse comportamento é imprevisível, ele deixa a criança pensando: “quando vai acontecer de novo? Pode ser a qualquer momento”. 

CE: Que tipo de recomendações ou conselhos você daria a um professor para que ele se relacione melhor com alunos ansiosos?

PK: Eu diria: dê a eles oportunidades, pouco a pouco, de serem mais corajosos. Não espere seus alunos irem de ansiosos para não-ansiosos. Trata-se de um processo lento, com pequenos passos ou pequenas oportunidades para agir com mais coragem. Se a criança tem medo de falar em sala de aula, não o coloque em frente aos seus colegas imediatamente, dê uma chance para que ele fique brevemente em frente da classe ou responda a pergunta simples. Dê a ele oportunidades graduais para enfrentar as situações com coragem.

CE: O que acontece se o professor também for ansioso?

PK: Isso não é nada bom. Na vida, se você é exposto a pessoas sem medo, ansiedade ou preocupações, você acaba acreditando que essa é a forma de se viver a vida. Nós queremos que as crianças ansiosas sejam expostas a pessoas capazes, elas mesmas, de tomar algumas atitudes. Porque não é possível controlar tudo e, se você não tentar, você nunca vai saber. Um professor disposto a deixar a criança a tentar, ela conseguindo ou não, é uma boa coisa.

CE: Que tipo de informação os professores e os gestores públicos deveriam saber sobre a ansiedade?

PK: Ansiedade é uma coisa normal. As emoções não são boas ou ruim. Se seu desejo é que o produto final seja pessoas corajosas, engajadas e bem-sucedidas, não crie crianças medrosas e preocupadas. Crianças medrosas e preocupadas, em geral, não não se tornam adultos corajosos e bem sucedidos. Elas se tornam adultos ansiosos, medrosos e preocupados.

* A jornalista viajou à Porto Alegre a convite do Wainer Psicologia Cognitiva

Fonte:
http://www.cartaeducacao.com.br/entrevistas/como-lidar-com-a-ansiedade-na-escola/

Post Author: Priscila Germosgeschi

Formada no curso de Letras na UFMT. Professora na rede particular desde 2001. Professora de Redação em Curso Pré Vestibular na cidade de Cuiabá (MT).

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