Espionagem americana

7 fatos sobre espionagem dos EUA que já foram revelados

NSA/Divulgação via Reuters
Prédio-sede da NSA, a agência de espionagem norte-americana, em Fort Meade

Prédio-sede da NSA em Fort Meade: Agência Nacional de Segurança dos EUA é responsável pela espionagem online

 

 

São Paulo – Desde que Edward Snowden veio a público com informações sobre o tamanho do programa de espionagem dos Estados Unidos, a cada semana, novos documentos mostram o quanto o conceito de privacidade das pessoas – especialmente a online – pode ser frágil.

A Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) alcançaria cerca de 75% da internet, segundo informações do Wall Street Journal, e há relatos de que ela receberia dados de empresas como Google, Apple e Facebook. Isso não significa que o presidente dos Estados Unidos leia os e-mails que você troca com seus amigos, mas pode indicar que tais mensagens passam por filtros de segurança e, se o algoritmo de pesquisa da NSA indicar que há algum risco, elas podem, sim, ser investigadas.

O número exato de e-mails e comunicações interceptadas, pessoas afetadas e países invadidos é incerto, já que Snowden apenas revelou alguns documentos. Mas, de acordo com um deles, só em janeiro passado, 2,3 bilhões de telefonemas e mensagens teriam sido espionados no Estados Unidos, segundo informações obtidas pelo O Globo.

Com base nisso, é provável que os Estados Unidos saibam muito sobre como as pessoas se comportam na web no mundo inteiro. E o que nós sabemos sobre o programa de espionagem norte-americano? Confira:

1. A espionagem é abrangente

Quando se fala em 75% da internet, talvez não fique claro quão abrangente isso pode ser. Na prática, qualquer e-mail e ligação feita através de Voip (sistema que usa internet para discagem) pode ser monitorada, e em qualquer país.

Nem a presidente Dilma Rousseff saiu ilesa ao programa. Uma reportagem do programa Fantástico do último domingo apresentou documentos entregues pelo próprio Snowden que expõem como a comunicação de Dilma e seus assessores também teria sido monitorada. A NSA usaria, inclusive, um software que traduz áudio de 81 idiomas (inclusive português) para textos em inglês, segundo a Folha de S. Paulo.

Especialistas ouvidos pelo programa de televisão ainda afirmaram que os filtros usados pela NSA não englobam apenas questões de segurança nacional e terrorismo. De acordo com eles, o monitoramento também seria feito com objetivos comerciais. Se comprovado, isso colocaria os norte-americanos em vantagem em negociações internacionais.

2. O orçamento do programa é bilionário

Nada menos do que 52,6 bilhões de dólares, algo equivalente a 124,8 bilhões de reais: este é o “orçamento negro”, o dinheiro que o governo norte-americano teria reservado especialmente para espionagem este ano, segundo reportagem do Washington Post. O valor seria compartilhado com mais de doze agências do programa de inteligência americano.

A CIA, agência central de inteligência, deve receber a maior soma: 14,7 bilhões de dólares. A NSA, que está no centro das polêmicas de privacidades, recebe 10,8 bilhões. Desde 2004, o orçamento para essas agências aumentou pouco mais de 50%, segundo a publicação.

3. Ameaças externas seriam prioridades

O objetivo que recebe mais financiamento é o de “avisar os líderes dos EUA sobre eventos críticos”. Para este propósito, são encaminhados 20,1 bilhões de dólares. A missão consiste em avisar de ameaças, “tais como instabilidade econômica, decadência de Estados, desordem social e poderes regionais em ascensão”, segundo definição encontrada pelo WSJ.

A segunda missão que mais recebe fundos é a de combater o terrorismo: 17,2 bilhões de dólares. Por definição, ela consiste em “monitorar e interromper extremistas violentos e grupos suspeitos de terrorismo que planejam ferir os Estados Unidos, seus interesses e seus aliados”.

4. Alguns agentes seriam “hackers”

Segundo as informações contidas em documentos vazados por Snowden, os EUA teriam comandado 231 operações de ciberataque só em 2011 – especialmente contra alvos de “alta prioridade”, como Irã, Rússia, China e Coreia do Norte, de acordo com o Washington Post. Os agentes teriam usado vírus de computador para hackear os sistemas estrangeiros, em um esquema que o presidente Barack Obama afirma ser “clandestino” e nega ter conhecimento.

5. Como funciona uma das ferramentas mais poderosas

Snowden revelou para o jornal britânico Guardian detalhes sobre o que parece ser uma das mais poderosas ferramentas de espionagem dos Estados Unidos, a X-Keyscore. Segundo ele, o sistema faria uma coleta de informações da internet que, depois, seriam analisadas. Com ele, é possível checar conteúdo de e-mails enviados e recebidos, além de atividades das pessoas em redes sociais e históricos de navegação.

A X-Keyscore usaria filtros para detectar eventos “anômalos” como o uso de linguagem diferente da região onde o internauta se encontra, algumas buscas na web ou se a pessoa usa criptografia em mensagens pessoais, por exemplo. Nos documentos, um mapa mostra a posição de centenas de servidores usados pela X-Keyscore – um deles próximo a Brasília.

6. Alguns números da inteligência dos EUA

No total, as agências de inteligência norte-americanas empregam 107.035 pessoas, segundo dados do Washington Post. Destes, 23,4 mil são militares. A NSA é, de longe, a agência que mais contrata militares, já que 64% dos não-civis trabalham para ela, 14.950 pessoas no total. A agência também é uma das que mais contratam matemáticos nos EUA, segundo informações do seu site oficial.

A agência fica em Maryland, estado no nordeste dos Estados Unidos, e tem cerca de 1.300 prédios e construções formando sua sede, que está em um terreno de aproximadamente 140 hectares, de acordo com o jornal britânico Sunday Times.

7. O sistema pode ter sido usado para fins pessoais

Seria raro, mas acontece e tem até nome próprio: Loveint, quando agentes da NSA coletam informações sobre namorados ou cônjuges. As informações são do Wall Street Journal, que conversou com oficiais da agência. Segundo o jornal, a maior parte dos casos é reportada pelo próprio infrator, especialmente quando ele passa por testes de polígrafo (ou “detector de mentiras”) para renovar sua autorização de segurança na NSA.

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