Por que é bom haver menos fumantes?

A redução do número de fumantes é resultado de uma série de ações e políticas públicas. O grande obstáculo é vencer a poderosa indústria do cigarro

JAIRO BOUER
08/07/2015 – 11h11 – Atualizado 08/07/2015 11h11

Dados do Ministério da Saúde divulgados no final de maio revelam uma queda de 30% do número de fumantes no Brasil na última década. Hoje, 10,8% dos brasileiros são fumantes; em 2006, eram 15,6%. Os números são da pesquisa Vigitel, inquérito telefônico sobre fatores de riscos para a saúde. Porto Alegre é a capital em que mais se fuma no país.

A redução do número de fumantes é resultado de uma série de ações e políticas públicas, entre elas a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo.

Essa medida, que vem sendo implantada em diversos lugares do mundo, começou, na última semana, a valer também em Pequim. Chineses têm o hábito de fumar em restaurantes, táxis e elevadores. De acordo com a agência de notícias AFP, quase a metade da população chinesa é fumante. Um terço dos cigarros fabricados no mundo é consumido no país.

Além dos locais fechados, o fumo passa a ser proibido na capital da China em algumas áreas  abertas ao redor de escolas, hospitais e locais para a prática de esportes. Multas estão previstas para estabelecimentos que descumpram a nova lei. Publicidade de tabaco também passou a ser proibida em ambientes externos.

O grande obstáculo é vencer uma indústria poderosa. A China é hoje o maior produtor e consumidor de cigarros do planeta. Sua produção está concentrada nas mãos da estatal China Nacional Tobacco Corporation (CNTC), principal fabricante de cigarros do mundo, com produção três vezes maior que a da Philip Morris e faturamento de US$ 170 bilhões em 2012 (superior ao de empresas como a Apple).

Dois novos estudos divulgados pelo jornal britânico Daily Mailreforçam a importância de proibir o fumo em locais fechados e de reduzir o número de fumantes.

O primeiro, da Universidade de Edimburgo, publicado na revistaEuropean Respiratory Journal, analisou 1,6 milhão de admissões de crianças em hospitais ingleses de 2001 a 2012. A análise demonstrou que a proibição de cigarros em ambientes fechados, iniciada em 2007, pode ter salvado 90 mil menores de 14 anos de doenças respiratórias sérias – uma queda de 14%. Trabalhos anteriores correlacionaram leis que banem cigarro em ambientes fechados com a redução quase imediata do número de internações de adultos por angina e infarto.

O segundo estudo, da Universidade de Nottingham, publicado no periódico BMC Public Health, vai mais longe. Sugere que o cigarro não apenas causa doenças e mata, como também pode levar crianças à pobreza. Pais fumantes investiriam menos em comida, roupas, melhorias para a casa e educação. Um único maço de cigarro hoje no Reino Unido pode custar cerca de R$ 30. O impacto é logicamente mais evidente nas crianças de famílias mais pobres.

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