Ser mulher…

Para você, ser mulher é…

ÉPOCA perguntou para mulheres de diferentes ramos e idades o que as insere no universo feminino

MARINA SALLES

Em 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Para celebrar a data, ÉPOCA relata a trajetória de mulheres de diferentes ramos e idades e traz a resposta delas sobre o que significa hoje ser do sexo feminino. Confira os depoimentos:

Cristina Palmaka assumiu a presidência da SAP Brasil, empresa especializada no desenvolvimento de softwares de gestão, em outubro de  2013. Desde então, lidera mais de 1.500 funcionários e aproximadamente 4.500 clientes. Mãe e executiva, faz de tudo para dedicar seus momentos livres integralmente à família.

“Ser mulher é maravilhoso! Desempenhar todos os nossos papéis é um desafio enorme, mas traz muita satisfação e nos motiva a fazer cada vez mais. Gosto dessa nossa capacidade de ser, ao mesmo tempo, firme e sensível, focada e multitarefa; saber falar e saber ouvir. Enfim, estar preparada para os dias de hoje, que exigem pessoas mais flexíveis e abertas às transformações.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

 

Maíra Fernandes é advogada criminalista e no início da carreira chegou a defender uma moça que foi algemada dentro de um hospital logo após um aborto malsucedido. O mestrado sobre legalização da prostituição também não foi feito ao acaso. Até hoje, Maíra defende o direito de homens e mulheres encarcerados e acredita no poder deles de passar por mudanças.

“Considero que ser mulher é conciliar força e sensibilidade. Desdobrar-se em mil, superar-se e reinventar-se. Não temer desafios, enxergar as belezas e sutilezas da vida. Conquistar seu espaço e lutar, permanentemente, por igualdade.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Clara Averbuck é autora do livro Máquina de pinball, que conta a história de Camila, uma garota com atitudes consideradas repreensíveis em pleno século XXI. Camila, alter ego de Clara, é adepta do sexo casual, usa drogas e bebe. E nem por isso é uma menina que deixa de perseguir o amor, como a própria autora descreve a personagem em seu blog.

“Para mim, ser mulher é ter de se impor o tempo inteiro, ter de lutar por direitos básicos, por salários iguais, ter de provar o tempo todo que é competente no que faz. É ter de exigir respeito a todas as horas do dia e da noite, é ter de viver se explicando: por que essa roupa? Por que esse comportamento? Por que você acha que pode ser dona da sua vida, do seu corpo, como você ousa ser sujeito de sua vida? Pois ouso, ousamos e é assim que vai ser. Seguirei lutando para que a percepção da Catarina, minha filha, seja diferente dessa minha num futuro não muito distante.”

Clara Averbuck (Foto: Arquivo pessoal)

 

Nascida no interior de Minas, Gircilene Castro resolveu investir no ramo da alimentação depois de identificar uma demanda na empresa onde trabalhava. De família humilde, foi conseguindo financiar sua ideia aos poucos e com muito investimento de tempo e trabalho. Em 2007, fundou a Alimex, negócio que oferece para outras empresas alimentação para os funcionários no local de trabalho. As opções vão do lanche da tarde, da manhã, da noite até o almoço e refeições especiais.

“Para mim, ser mulher é acordar de bom humor, agradecer a Deus e fazer as coisas acontecerem. É curtir seus filhos, mesmo depois de um dia difícil, complicado. É saber tomar decisões em tempo recorde para atender seu cliente e fazê-lo feliz. É ser simplesmente você e ter pessoas do bem do seu lado!”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Fundadora e atual diretora da Petite Danse, Nelma Darzi decidiu que podia fazer mais pela comunidade onde vivia. Professora de balé clássico, criou um programa de bolsas de estudos chamado Dançar a Vida. Desde 1999, o projeto atende crianças carentes e revelou alguns talentos que se tornaram bailarinos profissionais.

“Com a minha visão e experiência de vida, posso dizer que ser mulher é ser forte o bastante para enfrentar desafios e dificuldades, buscando sempre respostas para as surpresas que a vida traz. A mulher tem uma força interior muito grande que nos permite ser mãe, trabalhar com competência, superar obstáculos com serenidade, amar e perdoar.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Gladys Mariotto ficou afastada das salas de aula por 19 anos. Seu marido não via razão para ela ter uma carreira ou se dedicar aos estudos. Separada, pegou as apostilas do filho para estudar para o vestibular. A falta de recursos e o deficit de atenção nunca a fizeram desistir. Depois de entrar na faculdade, fez mestrado e doutorado. Criou um método de estudos que acabou se transformando em uma empresa, a Já Entendi. A startup oferece videoaulas para quem, como ela, tem muita vontade de aprender e acredita no poder transformador da educação.

“Ser mulher é muito divertido. É ter o desafio de equilibrar desejos, ambições e possibilidades.
Usufruir do prazer de ser mãe. Ter a possibilidade de ser uma profissional que pode abusar da intuição, pois não há nada mais feminino do que ter incertezas e vontade de arriscar. Isso é realmente divertido.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Nascida no Japão e naturalizada brasileira, Chieko Aoki é fundadora e presidente da Blue Tree Hotels, nome inspirado na tradução de Aoki do japonês, que significa “árvore azul”. A empresa é hoje a quarta maior rede hoteleira do país, e deu à sua fundadora o título de segunda mulher mais importante do Brasil, segundo a Revista Forbes em 2014. Atrás apenas da ex-presidente da Petrobras, Graça Foster.

“Ser mulher é saber se transformar diante das dificuldades da vida. Conhecer o momento certo de avançar e recuar sem nunca se sentir na obrigação de ser uma heroína. Nas batalhas diárias, ela consegue se transformar sempre, sem perder a sua essência.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Bacharel em desenho industrial e especialista em design de produtos, Kellen Ribas tinha o sonho de trabalhar com artesanato em pequenas comunidades. Acabou não ficando por muito tempo no ramo, mas conseguiu juntar a sustentabilidade à inclusão social em outro segmento. Em 2011, fundou com o marido a Cicla Brasil. A última novidade lançada pela empresa é a possibilidade de catadores de lixo registrarem as notas fiscais dos materiais que recolhem em uma plataforma online e vender cotas de crédito para outras companhias. A iniciativa atende à Política Nacional de Resíduos Sólidos.

“Concordo com Simone de Beauvoir quando diz que não se nasce mulher, torna-se mulher. Torno-me mais mulher a cada dia, a cada experiência, a cada luta, a cada conquista. Ser mulher, para mim, é correr atrás dos sonhos, sejam eles quais forem: aprender alguma coisa todo dia, trabalhar, amar, ser mãe ou tentar mudar o mundo! Há seis anos me casei, há quatro eu e meu marido criamos uma empresa social, há um ano e um mês me tornei mãe. Tudo isso me faz cada dia mais forte, cada dia mais mulher.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Gerente de uma franquia do McDonald’s no Brasil quando tinha só 16 anos, Leila Velez sempre pendeu para a área de gestão. Quando deixou a rede, decidida a ajudar uma amiga que queria montar um salão na Tijuca, aceitou até ser cobaia para ver o negócio crescer. Além do aprendizado na prática, foi buscar conhecimento na universidade e fez administração, depois MBA e, então, viajou diversas vezes para o exterior em busca de cursos de especialização. Hoje, é uma das sócias da Beleza Natural, empresa conhecida por sua linha completa de produtos para cabelos crespos.

“Ser mulher é saber usar a força da autoestima para hipnotizar a todos com o balançar das madeixas, mas é também lutar nas batalhas do dia a dia pela igualdade entre os sexos. É aceitar o desafio de se equilibrar na tábua fina que boia entre os papéis de mãe, amiga, esposa, namorada, filha, colega e tantos outros.”

. (Foto: Arte: Giovana de Paula Tarakdjian)

Vera Cardim é cirurgiã plástica e transita entre dois universos: o das cirurgias estéticas e de reparação. No seu consultório particular, faz procedimentos como lipos e implantes de silicone, e vai além. Desde 2006, mantém a Facial Anomalies Center (F.A.C.E.), que atende pessoas carentes com problemas de má formação. A maior felicidade dela é poder ver reinseridos na sociedade homens e mulheres que pela aparência diferente sofriam alguma discriminação.

“Para mim, ser mulher é ser alguém que, apesar de ter as mesmas potencialidades do homem, pensa e se emociona de forma distinta. Ambos são capazes de raciocinar e desenvolver talentos, o que os diferencia é seu modo de ver e interpretar sensações e informações. O homem é mais focado e objetivo, é caçador, é provedor. A mulher tem uma percepção mais expandida e é dona de uma pluralidade que lhe permite múltiplos raciocínios simultâneos. No dia em que se consolidar este entendimento, de que somos todos parte de uma unidade maior, e que gêneros diferentes são complementares, e não opostos, teremos, sem dúvida, um mundo melhor.”

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Gestora de projetos da Great Place to Work, Angélica Franco vive imersa no universo das carreiras e acredita que apesar de ter suas vantagens, ser mulher ainda é um tremendo desafio. No seu trabalho, vê diariamente que a situação está mudando, e têm esperanças de viver em um mundo de maior igualdade entre os sexos.

>> Angélica Franco:”O maior trunfo das mulheres no mercado de trabalho é a qualificação”

“Ser mulher para mim é buscar me desenvolver, aprender e ser feliz a cada dia; lutando sempre. Porque mesmo que me dê ao luxo de não matar insetos, sei que temos muitos desafios. No trabalho, somos nós que precisamos provar que nossas emoções não são sinônimo de fraqueza, mas sim de franqueza! E, honestamente, meu único problema em ser do sexo feminino, é o fato de ainda sofrermos agressões, sejam verbais ou físicas. A violência contra a mulher precisa ser combatida, só é uma pena que essa mudança dependa mais da reflexão e das atitudes do sexo oposto do que de nós mesmas.”

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Angélica Franco:”O maior trunfo das mulheres no mercado de trabalho é a qualificação”

As mulheres são cada vez mais qualificadas e vêm tomando os cargos anteriormente ocupados em sua maioria por homens, afirma a gestora de projetos do Great Place to Work Brasil, premiação que reconhece as melhores empresas para trabalhar

MARINA SALLES
Angélica Franco, gestora de projetos do GPTW Brasil (Foto: ÉPOCA)

Em poucas gerações, a presença da mulher no mercado de trabalho evoluiu muito. Se antes, a maior parte das mulheres ficava em casa, hoje, a mão de obra feminina já é mais bem qualificada do que a masculina e ocupa posições relevantes dentro das empresas. No entanto, não é hora de comemorar. Mesmo mais preparadas, as mulheres ainda recebem menos do que os seus colegas, inclusive em empresas premiadas pelo Great Place to Work Brasil.

Nesta entrevista, Angélica Franco, gestora de projetos da premiação GPTW, organizada anualmente pelo instituto em parceria com ÉPOCA, fala sobre a presença da mulher no mercado de trabalho e argumenta que existe uma tendência de que o sexo feminino passe a ocupar cada vez mais espaço nas empresas e, inclusive, as melhores vagas.

ÉPOCA – Para que a mulher pudesse ampliar seus horizontes no mercado de trabalho, o que mudou nos lares brasileiros? A partir de quando?
Angélica Franco– Pensando no Brasil, poderíamos dizer que entre os anos 1960 e 1990 houve um grande avanço. Da década de 1990 para cá, o termo mais exato para descrever esta evolução seria “gradual”. Em 1960, a taxa de ocupação de mulheres, divulgada pelo IBGE, era de 16,5%. Esse índice passou para 43,4% em 1992 e, em 2009, a taxa foi de 46,8%. Ou seja, o número de mulheres ocupadas cresceu nestes 50 anos, principalmente entre 1960 e 1990; da década de 1990 para cá, ela tem variado na casa dos 40%, 50%, sem muita evolução. Em 2012, a taxa de participação das mulheres no mercado de trabalho foi de 42,47%. Falando apenas das empresas premiadas na lista Great Place to Work Brasil, observamos um aumento da participação de mulheres de 22 pontos percentuais no  período 1997 a 2014 e de 29 pontos percentuais nos cargos de gestão. A proporção de mulheres nas empresas premiadas em 2014 – 47% no total – está acima da média nacional.

ÉPOCA –Em quais carreiras as mulheres ganharam destaque nos últimos anos?
Angélica – Segundo os dados levantados em nossa pesquisa, há uma grande presença feminina nos cargos de gestão de recursos humanos (RH). Na última pesquisa nacional, foi constatado que 51% dos diretores de RH das empresas premiadas na lista GPTW-Brasil 2014 são mulheres. Este percentual é bem significativo, considerando que esta lista contém empresas de características bem diversas – ramos de atividade, número de funcionários, níveis de faturamento etc. Dentre as listas GPTW, notamos uma forte presença feminina também na área da saúde: na lista voltada para o setor (GPTW-Saúde 2013), 67% dos funcionários eram mulheres; nos cargos de gestão, elas representavam 53%.

ÉPOCA – Quanto à capacitação, é fato que as mulheres estão melhor preparadas do que os homens? Que dados provam isso?
Angélica –Somos um país em desenvolvimento, precisamos ser cada vez mais produtivos e gerar melhores resultados financeiros. Isso tem feito crescer cada vez mais no país uma cultura voltada para os resultados, para o mérito, onde a mão de obra qualificada tem papel fundamental. E isso talvez seja o maior trunfo nas mãos do público feminino: elas são cada vez mais qualificadas e vêm tomando, a cada dia que passa, os cargos das empresas anteriormente ocupados em sua maioria por homens. Quanto mais altos na hierarquia estão os cargos, mais qualificação exigem, nos fazendo supor que haverá um crescimento da participação feminina nos cargos de gestão das empresas nos próximos anos.

ÉPOCA – Mesmo assim ainda há diferença salarial entre funcionários do sexo masculino e feminino. Isso também ocorre nas empresas premiadas?
Angélica –Embora as mulheres estejam cada vez mais presentes no mercado de trabalho e cada vez mais qualificadas – até mais que os homens –, ainda vemos diferença salarial entre os dois grupos. Segundo dados do relatório “Desigualdade de Gênero” divulgado no ano passado pelo Fórum Econômico Mundial, de 136 países, o Brasil fica em 117º lugar na questão da desigualdade salarial entre homens e mulheres. As empresas premiadas pelo Great Place to Work ficam acima da média nacional neste quesito, as mulheres ganham 83,6% do salário dos homens – ou seja, mesmo nessas empresas, há este ponto a melhorar. No Brasil, as mulheres ganharam 72,9% do salário dos homens segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE de 2012. Nas consideradas melhores empresas para trabalhar, premiadas pelo Great Place to Work, há políticas específicas para o desenvolvimento e crescimento das mulheres em suas carreiras, o que tem gerado resultados positivos. Isto é um fator mais importante que os percentuais de representação atuais, porque indicam um futuro promissor para as mulheres dessas empresas com relação à suas carreiras, devido ao investimento que recebem por parte das organizações nas quais trabalham.

 

Se é bom para ela, é bom para todos

Organizações que formam equipes com bom equilíbrio entre os sexos e dão oportunidades às mulheres beneficiam todos os funcionários

GRAZIELE OLIVEIRA

 

EQUILÍBRIO Cristhia Itano, tesoureira da Alcoa. Ela engravidou duas vezes na empresa, avançou na carreira e passa mais tempo com as crianças (Foto: Ricardo Corrêa/ÉPOCA)

Não basta convidar as mulheres para o baile – é preciso que elas gostem da música. As organizações atentas à diversidade já perceberam a diferença entre a mera diversidade nas equipes (necessária) e a verdadeira inclusão, que dá oportunidades a todos os profissionais. Para as empresas, ainda há desafios diversos, como atrair mulheres para carreiras tradicionalmente masculinas, fornecer modelos para as profissionais iniciantes e atender a necessidades femininas específicas.
As mulheres representam metade do total de colaboradores das 130 melhores empresas para trabalhar no GPTW – a parcela dobrou em 17 anos de pesquisa. Elas ocupam 41% dos cargos de chefia de equipes (em 1997, eram 11%). Em um terço das empresas premiadas, há políticas específicas para a ascensão profissional feminina. Algumas lições importantes sobre esse avanço podem ser aprendidas na observação da produtora de alumínio Alcoa, destaque no quesito diversidade de gênero na pesquisa de 2013 do GPTW.
A inclusão de mulheres representa um desafio para a Alcoa. A empresa trabalha com mineração e indústria pesada, áreas que costumam atrair mais estudantes homens. Do total de funcionários, 16% são mulheres. A companhia se empenha em obter o máximo de inclusão. “Fazemos isso porque é ético, moral e queremos trabalhar numa empresa que seja o espelho da sociedade nesse aspecto”, diz Franklin Feder, presidente da Alcoa América Latina e Caribe.
Uma ferramenta para isso é o programa Rede de Relacionamento das Mulheres da Alcoa (Alcoa Women’s Network), para atrair as profissionais e prepará-las para assumir cargos de chefia. A rede funciona desde 2005 e inclui homens, como Luiz Burgardt, gerente de relações trabalhistas e um dos responsáveis pela política de inclusão (não só de mulheres) na empresa. O desafio na Alcoa começa no processo de seleção. Os recrutadores devem apresentar aos gestores responsáveis pelas vagas listas com ao menos metade de candidatas mulheres. Em caso de igualdade de competências entre candidatos de sexos diferentes para a mesma vaga, a preferência é por mulheres, já que a participação delas na organização é muito inferior a 50%.

FEMINISTA Franklin Feder, presidente da Alcoa na América Latina. A empresa premia gestores que cumprem a meta de elevação da participação feminina (Foto: Ricardo Corrêa/ÉPOCA)

Para incentivar as adolescentes a escolher carreiras que possam levá-las à Alcoa, a empresa criou em 2005, em São Luís, o Projeto Sintonia. Engenheiras da Alcoa vão a classes de ensino médio e mostram às alunas como é possível trabalhar com engenharia na região onde vivem. Estudantes aprovadas em primeiro lugar nos cursos de graduação em engenharia ganham um curso de inglês pago pela Alcoa. Esse tipo de prática importa para enfraquecer noções preconceituosas, segundo as quais carreiras em ciências exatas são pouco femininas.
A Alcoa adotou também metas para o aumento na parcela de mulheres na organização – 10% ao ano. O alcance da meta numa equipe garante recompensa ao gestor responsável, na forma de remuneração variável. Feder explica que o resultado no bolso derruba mais um obstáculo à inclusão.
O desafio para a maior presença feminina nas empresas passa ainda pelo equilíbrio entre carreira e a decisão de começar uma família. Nas fábricas da Alcoa, há salas de amamentação para que as mães possam receber a visita dos filhos recém-nascidos, com poltronas adequadas e geladeira para o armazenamento do leite. A empresa investe em convênios com creches (o programa ainda não cobre todas as unidades – essa é outra meta). Como participante do Programa Empresa Cidadã, a Alcoa permite que a funcionária decida se quer estender por mais dois meses a licença-maternidade, além dos quatro previstos em lei. Atualmente, 41% das empresas premiadas no GPTW permitem às novas mães ficar com seus filhos mais do que os quatro meses mínimos previstos em lei.
Cristhia Itano, tesoureira da Alcoa, é um dos exemplos de como essa prática beneficia as mulheres, as famílias e as organizações – ou seja, toda a sociedade. Ela ficou grávida uma vez, logo quando foi convidada para integrar a equipe de um novo projeto na Alcoa em Nova York e, novamente, quando se candidatou a uma vaga na Tesouraria. Em ambos os momentos, Cristhia deu continuidade aos projetos, mesmo grávida, com o apoio dos chefes – todos homens. No segundo filho, optou por sair quatro meses de licença-maternidade convencional e outros dois em meio período. Assim, ela terá mais quatro meses para passar as tardes com as crianças. “Consigo amamentar e não houve uma separação brusca das crianças”, diz. Esse equilíbrio entre carreira e família é difícil para qualquer profissional. Mas as empresas podem investir em modelos compatíveis com as necessidades de cada um.

Revista Época – Março/2015

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