Obras de Escher

Se quiser construir um conhecimento coerente e consistente, será preciso afastar as premonições e os julgamentos de valor que estão presentes no senso comum. O olhar que evita essas posturas relacionadas ao senso comum é o olhar do estranhamento. Para trabalhar isso de forma mais clara e mostrar que é necessário desenvolver um treino do olhar, a sugestão é uma dinâmica a partir da discussão de gravuras do artista plástico holandês Maurits Cornelis Escher. 

 

OBRAS DE ESCHER

 
Se, se quiser construir um conhecimento coerente e consistente, será preciso afastar as prenoções e os julgamentos de valor que estão presentes no senso comum. O olhar que evita essas posturas relacionadas ao senso comum é o olhar do estranhamento.
Para trabalhar isso de forma mais clara e mostrar que é necessário desenvolver um treino do olhar, a sugestão é uma dinâmica a partir da discussão de gravuras do artista plástico holandês Maurits Cornelis Escher.“Desenhar” litografia de 1948 .
A obra de M. C. Escher ajuda a trabalhar o tema do imediatismo e superficialidade olhar de forma lúdica, porque muitas vezes as pessoas olham e se contentam com o primeiro olhar para explicar algum acontecimento ou pessoa. O problema é que, por isso, não conseguem entender muito bem o que se passa, já que o olhar é ligeiro, casual e, por vezes, também repleto de sentimentos e preconceitos.
Escher gostava de brincar com o nosso olhar. com o imediatismo do olhar. Para ele, desenho é ilusão. O desenho procura mostrar a superfície bidimensional algo que é tridimensional.Por meio de sua obra é possível refletir um pouco sobre a superficialidade do olhar e debater sobre a questão do “certo” e do “errado”. Observe a seguinte figura
Um outro mundo I”, 1946):
Na figura apresentada, Escher mostra, de diferentes ângulos em um mesmo desenho, uma espécie de pássaro com cabeça de homem. Por meio desse desenho podemos entender que há várias formas de olhar esse pássaro-homem, e que, a cada vez que é lançado um olhar diferente, o vemos de outro ângulo: ora por cima, ora por baixo, ora da direita para a esquerda, ora da esquerda para a direita. De qualquer forma, ele nos mostra que não há uma única forma de olhar esse pássaro-homem, pois vários podem ser os pontos de vista. O mesmo ocorre com um fato ou um acontecimento, pode-se observá-lo de diferentes ângulos.
Pense num exemplo de acontecimento que pode ser olhado sob os mais diferentes ângulos. Como mostra, pode-se exemplificar com algo cotidiano, como uma partida de futebol: ela pode ser descrita das mais diferentes formas. Questione-se! Quais pontos de vista você acha que podem ser os possíveis? Anote as possibilidades e continue a indicar outras.
Aqui estão algumas dicas de possibilidades:
* o ângulo de observação:
1. dos jogadores dos diferentes times;
2. das diferentes torcidas no estádio;
3. de quem assiste ao jogo pela televisão e que pode ver um replay das jogadas;
4. dos comentaristas esportivos profissionais;
5. dos torcedores depois de lerem as matérias nos jornais e revistas e assistirem aos canais de televisão;
6. o ângulo do juiz e dos bandeirinhas;
7. dos vendedores ambulantes – provavelmente para eles um bom jogo é um jogo em que podem vender muito os seus produtos e não necessariamente o que é um bom jogo do ponto de vista dos torcedores; entre outros exemplos que achar pertinente.Infinitas são as possibilidades de observar a realidade. E todas dependem dos diferentes ângulos que adotamos. Se quisermos fazer uma análise da realidade o mais isenta possível, devemos tentar observá-la do maior número possível de ângulos e perspectivas. Acontece que muitas vezes não paramos para olhar uma situação de diferentes ângulos. Não é difícil as pessoas aceitarem a primeira explicação dada, aquilo que um primeiro olhar mostra. Mas, ­para entender a realidade de um ponto de vista sociológico, não basta lançar um único olhar, pois o primeiro olhar, muitas vezes, não é imparcial.A análise das figuras a seguir serve justamente para debater a superficialidade do olhar, e como as pessoas podem se equivocar por não lançar um segundo olhar a elas.

Observe a imagem: O que você acha que esse desenho tem de errado? Especule um pouco e faça suas considerações sobre o trabalho do artista. O trabalho de Escher parece um desenho qualquer, mas são mais do que bonitos ou feios: são instigantes, pois fazem pensar. Observe a escada de mão, há um problema ali: se um andar está em cima do outro, como é que uma escada de mão sai do primeiro pavimento e alcança o segundo? Ela precisa estar inclinada para ir de um andar para o outro, mas isso não é possível se um andar está acima do outro de forma paralela. Logo, como isso é possível? Especule sobre isso!
Na verdade, o andar de cima não está paralelo ao de baixo, ou seja, não está exatamente em cima do de baixo. Eles estão perpendiculares, pois a parte de baixo está virada de frente para o casal que vai subir as escadas, e a parte superior está virada para outra direção, ou seja, a parte de cima forma um “xis” com a parte de baixo, e, por isso, a escada pode sair do andar inferior e atingir o superior.
Repare nas duas pessoas que estão nos andares apreciando a vista. Na parte superior há uma mulher cujo rosto, qualquer observador externo pode ver, e na parte inferior há um homem de costas, que apóia a mão no pilar. Se o desenho não tivesse sido feito dessa forma distorcida, não seria possível ver o rosto dela, pois ela também estaria de costas para o observador, ou os dois deveriam estar de frente. Entretanto, como os andares se encontram como se estivessem “cruzados”, um rosto é visível e o outro não, pois os andares apontam para diferentes direções.
Por fim, se restar dúvida ou não puder perceber essa disposição, atente que os pilares estão quase todos cruzados: os pilares do fundo se apóiam na parte da frente e os da frente e apóiam ao fundo.
Perceber tudo isso com um primeiro olhar é impossível. E se há algo que a Sociologia mostra às pessoas é o fato de que “a realidade social apresenta-se como possuidora de muitos significados. A descoberta de cada novo nível modifica a percepção do todo” (BERGER, 1976, p. 32-33).
 
Agora dirija o olhar para a próxima imagem (“Queda d’agua”, litografia 1961).
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Observe esta imagem e diga o que acham que Escher fez com ela. Mais uma vez há um desenho, talvez interessante, mas não necessariamente bonito ou feio. Mais um desenho que não chama muito a nossa atenção em um primeiro olhar, como muitos fatos e acontecimentos que ocorrem à nossa volta. Questione-se!
Alguém já viu água subir? E, aqui, a água não só sobe, como sobe em ziguezague para cair no mesmo lugar de onde saiu.
O primeiro problema é que a água sobe para cair. Impossível.
O segundo problema é que consegue subir em ziguezague e cair no mesmo lugar. Impossível também.
Um terceiro problema: se a água sobe em ziguezague, como é que os pilares se apóiam uns nos outros? Em um percurso em ziguezague, era para uns estarem mais à frente e outros mais atrás, mas ele os deixou uns sobre os outros.
Mais uma vez Escher brincou com a credulidade de nosso olhar. Ele distorceu a perspectiva para fazer com que isso tudo seja possível.

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Relatividade“, litografia 1962

A análise desta outra imagem ajuda na discussão sobre o que é certo e o que é errado. Ou seja, o olhar imediatista que lançamos sobre a realidade pode estar errado e repleto de preconceitos que precisam ser deixados de lado. Aquilo que parece certo de determinado ângulo, pode ser errado de outro.
Há muitas escadas. Umas com figuras subindo, outras descendo, outras de ponta­cabeça, nas mais diferentes direções. Questione-se: Quem está “certo”? Quem está “errado”? O que é certo ou errado?
Aponte para uma escada que esteja de ponta-cabeça e questione. Está errada? Mas o que acontece se você virar a figura? A escada que estava certa passa a ficar errada e a errada se torna certa. O que é certo ou errado? E se virar de novo o caderno?
Este desenho ajuda a refletir sobre a relatividade de nossos pontos de vista, de nossa perspectiva, pois quando se muda o ângulo por meio do qual se vê algo, pode-se às vezes compreendê-lo de uma forma melhor. Ajuda a refletir a respeito da questão dos preconceitos.No caso da Sociologia, deve-se ter em mente que sempre será necessário fazer o esforço mental de procurar diferentes ângulo para conseguir aproximar-se da realidade. Afastar-se dos juízos de valor é um cuidado metodológico fundamental do sociólogo para entender as situações sociais.
Muitas vezes, as pessoas não querem fazer isso, ou seja, não querem assumir outro ângulo para observar um fato ou acontecimento. Questione-se: Por que você acha que muitas pessoas não querem adotar um outro ponto de vista?
Primeiro, porque às vezes acham que estão sempre certas e os outros, errados. Mas isso não é possível, pois não existe ninguém que está sempre certo.
Segundo, por que se a pessoa está certa, então o outro está errado, e assim ela não precisará rever seu ponto de vista. Logo, é cômodo para muitos não lançar outro olhar para analisar uma questão, pois assim não terão de mudar de opinião. Não se pensa sociologicamente a partir de uma atitude comodista.Pense em exemplos do cotidiano: um desentendimento em casa. Muitas vezes, quando há um desentendimento em casa, ele ocorre porque as pessoas não conseguem se colocar umas no lugar das outras. Os pais parecem se esquecer de que já foram jovens e os filhos, por sua vez, não tentam se colocar no lugar dos pais para entender suas preocupações. De igual modo acontece na escola, nas relações entre alunos e professores ou entre os alunos.
Agora pensando na realidade social mais ampla, esforce-se e atente-se nos interesses divergentes entre diferentes categorias profissionais, ou entre países ou ainda entre grupos em uma cidade.

 

 

 

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