ESCRAVIDÃO MODERNA

ESCRAVIDÃO MODERNA

Escravos de marcas contribuem para o trabalho forçado e lucros daqueles que querem ganhar em cima da carência de educação, falta de emprego, desigualdade e discriminação.

Nas formas da lei, a escravidão está extinta, porém, em muitos países, principalmente onde a democracia é frágil, há alguns tipos de escravidão. A expressão “escravidão moderna” não se trata da compra e venda de pessoas. Os meios de comunicação em geral chamam de trabalho escravo relações de trabalho nas quais as pessoas são forçadas a exercer uma atividade contra sua vontade, sob ameaça, violência física e psicológica ou outras formas de intimidações. Essas formas de trabalho são acobertadas pela expressão trabalhos forçados, embora quase sempre impliquem o uso de violência.

Atualmente, a organização internacional do Trabalho (OIT) trata do tema nas convenções. O trabalho forçado e infantil no mundo tem duas características em comum: o uso da coação e a negação da liberdade, o trabalhador fica atrelado a uma dívida, tem seus documentos retidos e nas áreas rurais ou embarcações, fica em local geograficamente isolado. A escravidão no perímetro urbano geralmente acontece com imigrantes ilegais que trabalham dezenas de horas diárias, sem folga e com baixíssimos salários.

oit-Fazendeiros-acusados-de-trabalho-escravo-tem-boa-formacao.jpg Trabalho escravo é feito por jovens e estudados fazendeiros

No Brasil a Comissão Nacional Para a Erradicação do Trabalho Escravo (CONATRAE), criada em 2003 é um órgão vinculado à secretaria especial dos direitos humanos, tem a função de monitorar a execução do plano nacional para a erradicação do trabalho escravo e infantil. o plano contém 76 ações, cuja responsabilidade de execução é compartilhada por órgãos do executivo, legislativo, judiciário, ministério público, entidades da sociedade civil e organismos internacionais. O ministério do trabalho e emprego junto a secretaria de direitos humanos e da presidência da república são os responsáveis por manter e atualizar a cada semestre a “lista suja” do trabalho escravo. A relação traz empresas e empregadores de escravidão moderna que tiveram oportunidade de se defender, antes de ser confirmado o conjunto de autuações que configuraram condições análogas às de trabalho escravo e infantil. http://www.reporterbrasil.org.br/pacto/listasuja/lista

Não é de interesse criar polêmica, mas a melhor forma de acabar com essa mão de obra escrava é a análise da empresa antes de emprega-la de forma terceirizada ou não comprar e boicotar seus produtos, é grande o número de multinacionais que fazem esse tipo de serviço escravo. O que acontece quando se é descoberta os autores são simplesmente multados e obrigados a pagar os devidos direitos dos trabalhadores, pois existe apenas uma contravenção a lei, por isso nada impede que as empresas e indústrias voltem a agir dessa forma num futuro já que visam apenas os lucros.

Basf e ICI Paints estão envolvidas na cadeia de exploração de mão-de-obra infantil, pois compram talco das empresas Minas Talco e Minas Serpentinito, que utilizam crianças na mineração da pedra-sabão, em Mata dos Palmitos, comunidade de cerca de 300 pessoas na zona rural de Ouro Preto-MG. A Ouro Preto Pedra Sabão (OPPS), maior exportadora de pedra-sabão para o mercado norte-americano e europeu que tem jazidas em Mata dos Palmitos, foi flagrada também utilizando mão-de-obra infantil na reforma de uma casa, onde instala seus funcionários.

A The Coca-Cola Company foi autuada na Itália em uma colheita de laranjas para a produção de um refrigerante que era feita em condições de escravidão pelas mãos de imigrantes africanos, muitas vezes depois de terem atingido a costa italiana após uma triste travessia que seria a única esperança de sobrevivência para aquelas pessoas. A Coca Cola teria reagido, simplesmente cortando os acordos anteriormente firmados com as empresas que produziam laranjas, em defesa de sua imagem de multinacional “limpa”. Em novo caso trabalhadores da planta da Coca-Cola na Nigéria reivindicam aumentos de salários e bonificações. pois recebiam $2,64 dolares por dia de serviço, no fim do ano não ganham sequer uma garrafa de Coca-Cola como bonificação pelo ano inteiro de trabalho.

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A Philip Morris reconheceu a presença em suas plantações, de pelo menos 72 crianças envolvidas na colheita do tabaco e em risco de sofrerem intoxicação por nicotina. Não só isso, parece que a empresa forçava trabalhadores imigrantes para o trabalho escravo, sequestrando seus documentos e forçando-os ao trabalho contínuo, sem qualquer compensação. Apesar das promessas feitas pela corporação para dar fim a tais situações, de acordo com o relato feito pelo jornal The Independent, o problema não teria sido completamente resolvido. A empresa fabrica marcas como: Marlboro, Basic, Benson & Hedges, Cambridge, Chesterfield, Commander, Dave’s, English Ovals, Lark, L&M, Merit, Parliament, Players, Saratoga e Virginia Slims.

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Victoria’s Secret afirmava usar apenas algodão proveniente do comércio justo, “fair trade”, e isto deveria ser uma garantia contra a exploração do trabalho nas plantações. Infelizmente, no entanto, alguns fabricantes de algodão orgânico e de comércio justo não são capazes de trabalhar sem a utilização de crianças para atingirem os seus objetivos de produção, que em Burkina Faso trabalhadores teriam sido forçados a plantar e a colher algodão sofrendo abuso físico. Depois da reportagem em dezembro de 2011, parece que a Victoria’s Secret não fez nada além de retirar o “comércio justo” de suas etiquetas. Mas situações de escravidão moderna podem ainda estar presentes nos campos de algodão.

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National Labor Comittee acusou de escravidão a fabricante chinesa KYE por ter recrutado 1.000 estudantes com idades entre 16 e 17 anos, obrigando-os a trabalharem 15 horas por dia e por 7 dias na semana. Também teriam sido recrutadas mulheres com idades entre 18 e 25 anos, impostas a condições semelhantes e com um salário de 65 centavos por hora. Mesmo em face dos dados oficiais, a KYE teria continuado a sustentar aquelas condições dentro de suas próprias sedes. Ela é responsável pela produção de produtos para empresas e marcas como Microsoft, HP e XBox. Outras empresas já admitiram que exploram os trabalhadores chineses para a sua produção. Entre estas, a Apple e a Nokia.

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American Apparel, Abercombe & Fitch, L.L. Bean, Gymboree, Hanes e Burberry são algumas das marcas conhecidas que utilizam trabalho escravo para produzir seus tecidos e roupas. estas empresas não se enquadram nos padrões de trabalho justo e não tentam melhorar as condições de trabalho de seus empregados. L.L. Bean, Gymborree e Hanes utilizam trabalho infantil forçado em suas fábricas de produção de algodão no Uzbequistão. Os funcionários destes fabricantes de roupas não têm qualquer direito de negociação coletiva e não são filiados a sindicatos.

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Ikea, o Walmart e a Kohl’s como lojas de móveis e varejistas que apresentam um histórico de práticas de trabalho injustas e que não têm “responsabilidade social corporativa”. Quatro operários contratados por estas empresas na Turquia perderam suas vidas devido a condições de trabalho inseguras. Como um dos maiores varejistas do mundo, o Walmart tem mais de 60 mil fornecedores. Esta loja tem um longo histórico de violações de direitos trabalhistas de “alto nível” em países como Bangladesh, China, Indonésia e Suazilândia e já falhou em áreas como salários, pagamento de horas extras, licença-maternidade, pausas para ir ao banheiro e trabalhos forçados.

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Marcas agroindustriais tais como Monsanto, Cargill e Archer Daniels Midland se envolvem também em práticas de trabalho injustas. Estas empresas são o topo de uma cadeia de suprimentos complexa, Pequenos fazendeiros em diversas partes do mundo são obrigados a comprar sementes destes gigantes agroindustriais e vender a eles seus produtos a preços insustentáveis. Trabalhadores de fazendas que exportam produtos como abacaxis, borracha, algodão, cacau, chá e flores abastecem importantes marcas de processamento de alimentos, tais como Kraft, Nestlé e Dole. Estas empresas são donas de uma parte significativa das marcas alimentícias globais.

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Vale a pena assistir este documentário, que mostra como em alguns casos chega a ser complicado o trabalho envolvido na transformação do cacau, desde a sua colheita até na produção do chocolate que compramos no mercado. Após a produção do documentário Miki Mistrati tentou de diversas formas conversar com as empresas aqui citadas, mas não obteve resposta. Todas se recusaram a assistir o vídeo e não se pronunciaram publicamente.

Fabricantes de artigos esportivos, como a Nike e a Adidas, contam com trabalhadores em toda Ásia, principalmente na Indonésia para produzir seus calçados. Um relatório da Common Dreams, uma organização apartidária não governamental, indica que os trabalhadores indonésios vivem em extrema pobreza e enfrentam perseguições e agressões físicas de seus empregadores, chegam a ser levados para embarcações que navegam em águas internacionais e trabalham em seus porões. A Nike é a maior empresa de calçados esportivos do mundo, e é dona de 11 fábricas na Indonésia que produzem 55 milhões de calçados por ano. Apenas um par a cada 50 é vendido para consumidores indonésios.

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Nota do editor: A Faber-Castell esclarece que desde 2005 não mantém nenhuma relação comercial com a empresa Minas Talco, conforme referido originalmente nesta matéria. Diante da comprovação do Ministério Público em relação às denúncias de uso de trabalho infantil relacionadas a Minas Talco, a Faber-Castell informa que à época cancelou imediatamente os fornecimentos da empresa Minas Talco, por repudiar a exploração da mão de obra infantil no País.

Fontes: http://reporterbrasil.org.br/2006/02/multinacionais-beneficiam-se-da-exploracao-de-trabalho-infantil/ http://greenme.com.br/viver/trabalho-e-escritorio/126-6-multinacionais-envolvidas-com-trabalho-escravo-e-exploracao-infantilhttp://greenme.com.br/viver/trabalho-e-escritorio/126-6-multinacionais-envolvidas-com-trabalho-escravo-e-exploracao-infantil http://www.bloomberg.com/news/2011-12-15/victoria-s-secret-revealed-in-child-picking-burkina-faso-cotton.htmlhttp://uol.amaivos.com.br/amaivos09/noticia/noticia.asp?cod_noticia=6908&cod_canal=38 http://www.globallabourrights.org/reports?id=0034 http://www.globallabourrights.org/alerts?id=0011 http://www.childlabor-payson.org/http://www.sustainablebusiness.com/index.cfm/go/news.display/id/22927 http://mte.jusbrasil.com.br/noticias/2527547/atualizada-a-lista-suja-de-trabalho-escravo

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5 exemplos da escravidão moderna, que atinge mais de 160 mil brasileiros

 
A maioria dos casos de escravidão moderna acontece na ÁsiaDireito de imagemAFP
Image captionA maioria dos casos de escravidão moderna acontece na Ásia

O trabalho escravo foi banido em quase todos os países, mas ainda existem muitas pessoas vivendo sob essa condição ao redor do mundo.

Entre as mulheres, as formas mais comuns dessa violência são forçá-las a se casar, a fazer serviços domésticos ou a se prostituir. No caso dos homens, destaca-se o serviço em barcos da indústria da pesca.

A chamada escravidão moderna atinge mais de 45,8 milhões de pessoas no mundo, segundo a edição deste ano do Índice Global de Escravidão, publicado pela Fundação Walk Free, da Austrália. A maioria (quase 35%) está na Ásia.

Na América Latina, são 2,16 milhões de trabalhadores, 161,1 mil deles no Brasil – em 2014, eram 155,3 mil. Segundo o relatório, a incidência desse crime é maior nas áreas rurais no país, principalmente em regiões de cerrado e na Amazônia.

A ONG destaca o pioneirismo do governo brasileiro na divulgação da “Lista Suja do Trabalho Escravo”, que aponta empresas multadas pela Justiça. A publicação da lista foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2014, mas o órgão acabou liberando o material na semana passada.

A Walk Free define como escravidão “uma situação de exploração da qual não se consegue sair porque está sob ameaça, violência, coerção ou abuso de poder”. Confira cinco exemplos levantados pela organização:

1) Indústria da pesca e de frutos do mar

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que milhares de pessoas são forçadas a trabalhar em barcos de pesca, onde podem permanecer durante anos sem nem sequer poder ver a costa.

As vítimas afirmam que, caso sejam flagradas tentando escapar, podem ser mortas ou lançadas ao mar.

A Tailândia, terceiro maior exportador de frutos do mar do mundo, foi acusada de lotar seus barcos com birmaneses e cambojanos que foram obrigados a trabalhar como escravos.

Vítimas de trabalho forçado são ameaçadas até de morteDireito de imagemAFP
Image captionVítimas de trabalho forçado são ameaçadas até de morte

Intermediários costumam mentir prometendo empregos em fábricas, mas no fim levam as pessoas para barcos de pesca, segundo vítimas.

Após escapar dos traficantes, um birmanês contou que foi forçado a entrar em um pequeno barco em mar aberto, onde teve de pescar por 20 horas diárias sem receber nada por isso.

“Eles diziam que qualquer um que tentasse escapar teria as pernas cortadas, as mãos, ou até seria morto”, disse à BBC.

2) ‘Fábricas de maconha’ e salões de unha

Os números sugerem a existência de 10 mil a 13 mil vítimas de escravidão no Reino Unido, vindas de países como Albânia, Nigéria, Vietnã e Romênia.

Acredita-se que cerca de 3 mil crianças vietnamitas estejam trabalhando em “fábricas de maconha” e salões de unha, onde ouvem que “suas famílias lamentarão muito” se escaparem.

Uma das vítimas tinha 16 anos quando chegou ao país com a expectativa de ganhar dinheiro e mandar para a família. Mas, em vez disso, o rapaz foi forçado a trabalhar em uma “fábrica” de maconha, casas onde são cultivadas enormes quantidades da planta.

Muitos acabam nesses condições por causa de dívidasDireito de imagemAP
Image captionMuitos acabam nesses condições por causa de dívidas

“Lembro que perguntei ao homem que me levou ali se eu poderia ir embora, pois não gostava de ficar naquele lugar. Ele ameaçou me bater ou me matar de fome”, disse.

Quando a polícia invadiu a casa, o jovem foi preso e foi acusado de crimes vinculados a drogas. Mas depois recebeu ajuda da organização para proteção à infância NSPCC.

3) Escravidão sexual

A Organização Internacional do Trabalho calcula que existam cerca de 4,5 milhões de vítimas de exploração sexual no mundo.

Shandra Woworuntu, ativista contra o tráfico humano, foi forçada a se prostituir nos Estados Unidos em 2001. Ela saiu da Indonésia com a promessa de conseguir um trabalho na rede hoteleira, mas foi entregue a traficantes armados pelos intermediários que a receberam no aeroporto.

Shandra e outras três vítimas foram forçadas a posar para essa foto perto de um bordelDireito de imagemSHANDRA WOUNUTRU
Image captionShandra e outras três vítimas foram forçadas a posar para essa foto perto de um bordel

“Ouvi que tinha uma dívida de US$ 30 mil com eles e que pagaria US$ 100 a cada vez que servisse a um homem”, explica.

Depois de um tempo, Shandra conseguiu escapar e ajudou o FBI a localizar o bordel, onde outras pessoas eram escravizadas.

Na República Dominicana, 25% dos turistas estrangeiros participam do comércio sexual – uma em cada quatro vítimas é menor de idade, segundo o estudo da Walk Free.

O país e o Haiti têm o percentual mais alto de pessoas sob condições de trabalho escravo em relação à população – 1%. Ambos estão no oitavo lugar do Índice Global de Escravidão.

4) Obrigados a mendigar

O relatório destaca que muitas crianças na Europa, Ásia, África, América Latina e Oriente Médio são forçadas por criminosos a pedir esmolas nas ruas.

Uma das vítimas disse aos investigadores: “Ainda que eu peça a esmola, eles não me pagam nada. Tenho que entregar para eles tudo o que ganham. Eles não me alimentam direito e não posso dormir bem. Não me pagam por um trabalho, isso é servidão”.

Muitas crianças são forçadas a mendigarDireito de imagemGETTY
Image captionMuitas crianças são forçadas a mendigar

Outra conta: “Não podia dizer nada, tinha medo. Meu patrão ameaçou me castigar de forma severa se eu dissesse algo a alguém”.

5) Em propriedades particulares

Grande parte da escravidão moderna não é visível para o público – ela acontece em casas, fazendas ou outros tipos de propriedades particulares.

Na semana passada, três pessoas da mesma família foram presas no Reino Unido por forçar um homem a trabalhar em troca de um pagamento irrisório.

Michael Hughes, de 46 anos, prestou serviços de construção para a família por mais de 20 anos. Ele disse que teve de viver em um galpão de 1 por 2 metros no jardim, sem aquecimento nem água, durante dois anos.

Casas e propriedades abrigam formas invisíveis de trabalho escravoDireito de imagemSCIENCE PHOTO LIBRARY
Image captionCasas e propriedades abrigam formas invisíveis de trabalho escravo

No mês passado, um britânico começou a cumprir uma pena de dois anos de prisão por manter sua própria mulher sob servidão doméstica – é o primeiro caso do tipo de se tem conhecimento no país.

Ela foi torturada, forçada a trabalhar e não podia sair de casa, segundo os promotores.

Fonte: BBC internacional

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