COMO COMBATER AS FAKE NEWS EM SALA DE AULA?

Estudante precisa fazer as perguntas certas para encontrar respostas corretas

 

Meio de desenvolver esse tipo de competência nos alunos durante a educação básica é através de exercícios de análise de informações.

 

 

As notícias falsas, ou fake news, não são um conceito novo. Mas, com o aumento da disseminação de informações nas redes sociais, especialistas discutem a importância da escola desenvolver habilidades de leitura e análise para que o aluno consiga distingui-las. 

 

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Stanford confirmou a relevância do tema. A pesquisa mostrou que estudantes têm dificuldade para atestar a credibilidade de informações na internet. As dificuldades observadas foram, por exemplo, falta de habilidade para diferenciar um anúncio de uma notícia e identificar a fonte de uma informação. 

“Muitas pessoas pressupõem que os jovens, por serem fluentes em mídias sociais, são igualmente perceptivos em relação ao que eles encontram lá. Mas o nosso trabalho mostra o contrário”, argumenta Sam Wineburg, autor do relatório.

Educação digital 

Para os pesquisadores, a solução para isso é o letramento digital, ou seja, o desenvolvimento da capacidade de compreender e avaliar os conteúdos online. Algumas habilidades apontadas são a capacidade de procurar outras fontes para checar uma informação, não pressupor neutralidade dos veículos de comunicação e não considerar a ordem de resultados dos mecanismos de busca como uma prova de credibilidade. 

“Um estudante digitalmente letrado tem o conhecimento e a habilidade de atravessar resultados diversos para encontrar informações confiáveis e precisas”, aponta Wineburg. 

A capacidade de analisar, processar e consumir informações é destacada não só por especialistas, mas também pelo público comum; pesquisa realizada pelo Pew Research Center, constatou que 61% dos norte-americanos acreditam que a sua capacidade de tomar decisões melhoraria se eles tivessem algum tipo instrução sobre como encontrar informações confiáveis online. 

“O melhor antídoto para esse fenômeno é oferecer ao indivíduo uma educação voltada para a formação do espírito crítico e a capacidade de pensar e fazer perguntas o tempo todo”, afirma Acedriana Vicente Sandi, diretora Pedagógica da Editora Positivo. “Escola e professor precisam ajudar o estudante a organizar e analisar esse conteúdo, tirando suas próprias conclusões. Com autonomia para pensar por si mesmo, o indivíduo será capaz de fazer as perguntas certas para chegar às respostas corretas”, completa.  

Detectando mentiras 

Essa ideia é quase tão antiga quanto as formas de comunicação online. Na década de 1990, o escritor e professor Howard Rheingold cunhou a expressão “detector de porcaria” para se referir às habilidades de letramento necessárias para consumir qualquer tipo de mídia. 

 

“A menos que a grande maioria das pessoas aprenda o básico de detecção de porcarias online e comece a aplicar suas faculdades crítica em massa rapidamente, temo pelo futuro da internet como uma fonte de notícias confiáveis, aconselhamento médico, informações financeiras, recursos educacionais e pesquisa científica e acadêmica”, disse Rheingold. 

Desenvolvendo competências 

Um meio de desenvolver esse tipo de competência nos alunos durante a educação básica é através de exercícios de análise de informações. O Project Look Sharp, iniciativa do Ithaca College, nos Estados Unidos, aponta algumas questões que podem ser empregadas ao analisar informações com os alunos: Quem criou o conteúdo? Qual o público alvo? Quem financiou? O que foi deixado de fora da mensagem? Essa fonte é confiável? 

“O papel da escola passou a ser o da mediação das mais diversas fontes de informação. Na medida em que fake news chegam às salas de aula – quase sempre por meio das pesquisas dos alunos – cabe ao professor acolher o conteúdo e destrinchá-lo”, diz Acedriana. “Um dos caminhos é verificar a autoria de um texto, observando se quem assina é mesmo o autor ou apenas quem está compartilhando a informação. Erros gramaticais, ortográficos, simplificações de conteúdo e até mesmo um tratamento visual pouco adequado devem acender o sinal de alerta. Digitar o texto, ou parte dele, no Google e observar os resultados pode, por exemplo, indicar se o texto é original ou se está sendo copiado”, orienta. 

A importância de desenvolver essas habilidades nos estudantes é destacada pelo diretor de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher. Em entrevista à BBC, ele afirmou que as escolas precisam preparar os alunos com as habilidades necessárias para navegar no mundo digital, que apresenta informações pouco confiáveis nas redes sociais e notícias falsas. 

“Expor notícias falsas, ter consciência de que existe algo como notícias falsas, que tem algo que não é necessariamente verdadeiro, que é necessário questionar, pensar criticamente – essa é uma tarefa muito importante.” 

Schleicher afirma ainda a necessidade de os adolescentes olharem para as redes sociais como algo mais do que uma “câmara de eco”, onde eles apenas escutam a repetição de ideias similares às suas. “Essa avaliação trata diz respeito à capacidade dos jovens de enxergarem o mundo através de diferentes perspectivas, prezar por ideias diferentes, manterem-se abertos a diferentes culturas.” 

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/educacao/como-combater-as-fake-news-em-sala-de-aula-7x6crli6ktikdvr9gz3edcgd9

Post Author: Priscila Germosgeschi

Formada no curso de Letras na UFMT. Professora na rede particular desde 2001. Professora de Redação em Curso Pré Vestibular na cidade de Cuiabá (MT).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *