CLUBE DE COMPRA DALLAS – FILME.

Com cerca de dois meses de atraso em relação aos Estados Unidos, mais de 40 prêmios na prateleira e seis importantes indicações ao Oscar, Clube de Compras Dallas chega nos cinemas brasileiros. E a magreza dos atores para viver o papel de vítimas da AIDS, lá atrás, quando surgiram os primeiros casos da doença, continua fazendo efeito. Mas se os comentários giram em torno – apenas – desse tema, é importante dizer que o filme tem mais a oferecer.

Clube de Compras Dallas - Foto

Clube de Compras Dallas – Na história, o caubói eletricista Ron Woodroof (Matthew McConaughey) leva um vida de pura esbórnia, bebendo todas, cheirando muito, traficando drogas lícitas e ilícitas e, sem proteção, transando a torto e a direito com as amigas. Depois de um acidente de trabalho, seus exames de sangue informam que ele está contaminado pelo HIV. O machão convicto contesta, mas com a chegada dos sintomas, passa a investir na quebra do monopólio da indústria farmacêutica com o famigerado AZT, investigando drogas alternativas no México, Amsterdã, China e Japão. Ao lado de um amigo travesti (Jared Leto), cria um clube de fornecimento de remédios não autorizados, que passam a dar sobrevida para ele (homofóbico convicto) e os associados. O problema é a pressão do governo.

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Clube de Compras Dallas – Criticando duramente as políticas comerciais e desumanas da indústria farmacêutica, que segundo o protagonista “oferecem açucar para quem está morrendo” (o placebo dos testes), o roteiro do novato Craig Borten e Melisa Wallack (Espelho, Espelho Meu) mergulha você de cabeça naquele universo triste e degradante. A diferença, porém, está na opção por não apelar para o melodrama e o choro fácil. Se aponta as falhas da FDA (agência americana reguladora de remédios e alimentos) ou das autoridades policiais, isso pode acontecer com noticiários de TV ou através de diálogos inspirados e carregados de humor. O mesmo vale para a maneira como o personagem venceu o forte preconceito dele e dos pares.

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Clube de Compras Dallas – A direção sóbria foi de Jean-Marc Vallée (A Jovem Rainha Vitória) e, entre as curiosidades, tem uma zoada machista para cima do galã de outrora Rock Hudson, uma das primeiras vítimas fatais e famosas da AIDS, e uma citação do clássico Intriga Internacional, de Alfred Hitchcock. Além do já citado esforço de McConaughey e Leto, que perderam muito peso para viver seus personagens e estão muito bem, o filme tem também Steve Zahn, Jennifer Garner e Griffin Dunne, em participações modestas. Ao fim, nos créditos, informações sobre o destino de Ron, que sobreviveu ainda mais sete anos após o diagnóstico e a morte anunciada. É uma incrível história de perseverança.

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