BABY BOOMERS E O EMPREENDEDORISMO DIGITAL


BABY BOOMERS E O EMPREENDEDORISMO DIGITAL

 

A chamada Economia Prateada traz aos espaços digitais a geração que ressignificou o envelhecimento

29 JUN 2020 | GERAÇÕES SEM IDADE

POR GLOBO

A aposentadoria é praticamente um sinônimo de marginalização social quando já não há mais a ideia de produtividade financeira. Entretanto, uma nova percepção sobre o envelhecimento tem mudado esse panorama para aqueles que entram nesta fase da vida. Os Baby Boomers, nascidos entre 1946 a 1964, estão encontrando nos espaços digitais novas oportunidades para se reinventarem profissionalmente e reinvidicarem representatividade. É uma mudança de comportamento importante que impacta consumo e economia.

Nunca vivemos tanto. E a tendência é que viveremos muito mais! As estimativas apontam que a população idosa no mundo terá um aumento significativo nos próximos anos. E no Brasil essa perspectiva não seria diferente.

Fonte: ONU

Trata-se de um salto considerável que sinaliza mudanças de comportamento, bem-estar e estilo de vida. A imagem sobre a terceira idade não pode mais incluir antigos clichês que permeiam este universo. Muito mais ativos e dispostos, hoje os Baby Boomers rechaçam a percepção de um futuro de fraqueza, isolamento ou mesmo desconexão com o mundo.

Fonte: IBGE

Apesar da expectativa trazer otimismo, o Brasil não tem se preparado para colaborar com esta geração, nem mesmo elaborado políticas públicas que se adequem a esta realidade. Por isso, a maioria dos Baby Boomers brasileiros vive uma dualidade do envelhecimento: ao mesmo tempo em que se sentem ativos e desejam permanecer produtivos, eles também não podem desfrutar com tranquilidade a ideia da aposentadoria, porque sabem que o dinheiro de contribuição não é o suficiente para os gastos no fim do mês.

Fonte: tsunami60mais

A chamada Economia Prateada refere-se à todas atividades econômicas de pessoas com mais de 50 anos, envolvendo também os produtos e serviços consumidos pelos Baby Boomers. Mesmo sendo uma fatia importante de consumidores, eles acabam sendo deixados de lado pela marcas e empresas que não os valorizam como público-alvo importante.

Fonte: tsunami60mais

Seja para manterem-se ativos ou para chegar com dinheiro suficiente no fim do mês, eles continuam trabalhando. Acontece que o mercado nem sempre está disponível para quem já passou dos 50. O jeito então é se virar e buscar alternativas com mais autonomia para complementar a renda e dar fôlego para o desenvolvimento da economia prateada. E eles estão aprendendo algumas destas possibilidades com os Millennials.

Millennials não inventaram a internet, mas digitalizaram a vida analógica e por isso podemos chamá-los de imigrantes digitais. Eles podem ter 2 perfis como imigrantes: colonizadores, aqueles que desbravaram a internet em seus primórdios criando e estabelecendo as regras e até mesmo o idioma próprio da rede; ou naturalizados, aqueles que foram assimilando a transição entre os mundos offline e online e as inovações tecnológicas.

Descobrindo as possibilidades que a internet oferece, a Geração Y inventou novas profissões a partir das redes sociais. Youtuber, digital influencer e empreendedor digital agora são atuações comuns e um tipo de trabalho que oferece mais autonomia e liberdade. Esta projeção profissional impactou outras gerações, como os Baby Boomers.


Baby Boomers estão sim conectados. Para esta geração a internet é uma ferramenta de desenvolvimento cognitivo e interação social.

Fonte: IBGE

Assim como Millennials, Baby Boomers também são imigrantes digitais, porém com um outro perfil, o  de refugiados, já que para eles o mundo analógico ainda é a maior referência no cotidiano e pela grande resistência às novas tecnologias. Uma das principais tensões de desbravar os ambientes digitais é aprender um novo idioma. A dificuldade aumenta quando eles precisam também compreender e adequar-se aos conteúdos, produtos e serviços em grande parte direcionados a outras gerações.

Fonte: tsunami60mais

A internet pode ser um espaço novo para eles, mas já compreendido como fonte de informação e referência.

Fonte: MindMiners

Sem tantos conteúdos, serviços e produtos direcionados a eles, alguns Baby Boomers tomam para si o protagonismo e passam a criar soluções que atendam suas necessidades sem cair em antigos padrões e explorando a diversidade da própria geração.

Como por exemplo a plataforma brasileira Morar.com.vc que ajuda pessoas com mais de 50 anos a se conectarem com quem que está compartilhando casas. A proposta é oferecer solução mais econômica de moradia, mas também experiência de convivência social positiva. A startup foi idealizada por Marta Monteiro e Veronique Forata, ambas com mais de 60 anos de idade.

 A falta de representatividade também acontece na produção de conteúdo. Pouco a pouco um nicho está se abrindo e Baby Boomers como Rosangela Marcondes tornam-se influenciadores através das redes sociais. Aos 60 anos, ela transformou o ócio da aposentadoria em uma nova atuação ao produzir conteúdo. Com dois canais no youtube, ela compartilha com seus seguidores suas experiências sobre longevidade e maturidade criando um diálogo geracional único.

Seja como consumidores ou como empreendedores, Baby Boomers não podem ser tratados à margem da sociedade. Eles não estão envelhecendo e ficando todos iguais. Ao contrário. É preciso reconhecer a diversidade dentro da própria geração. Ignorá-los é se recusar a compreender as mudanças do mundo.

Arte: Gabriela Costa /  Imagens: iStock by Getty Images /  Texto: Gláucia P. Oliveira

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Fonte: https://gente.globo.com/baby-boomers-e-o-empreendedorismo-digital/


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