Tráfico de órgãos: um mercado em expansão.

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TRÁFICO DE ÓRGÃOS HUMANOS: UM MERCADO EM EXPANSÃO

Nem todos os órgãos do corpo humano são indispensáveis. Alguns podem ser doados ou… vendidos. Quanto vale um rim no mercadonegro? Além de ilegal em quase todos os países do mundo, privar-se de um órgão é muito perigoso. Comprá-lo, também.

Por: Luis Pellegrini

Quanto vale um homem? Ou melhor, economicamente falando, quanto se pode ganhar vendendo um homem ou… pedaços dele? Parece coisa de filósofo doido fazendo metáforas, mas trata-se da mais concreta e objetiva realidade: basta ler o recente relatório da Organização Mundial da Saúde para se dar conta de que o tráfico ilegal (e às vezes legal) de órgãos humanas é, hoje, um business que caminha sobre rodas. Prepara-se para sentir alguns arrepios ao ler as informações abaixo.

Mercado milionário

Segundo dados da OMS, a cada ano, no mundo, são executados cerca de 22 mil transplantes de fígado, 66 mil transplantes de rim e 6 mil transplantes de coração. Cerca de 5% dos órgãos utilizados nessas intervenções provêm do mercado negro, com um volume de negócios estimado entre 600 milhões e 1,2 bilhão de dólares.

O aspecto mais dramático é que, segundo a Global Finance Integrity, uma ONG especializada no rastreamento de fluxos financeiros ilegais, os números desse macabro comércio encontram-se em constante aumento.

Quem paga a conta são os cidadãos mais pobres do mundo, aqueles que, por um punhado de dólares, estão dispostos a ceder um rim, um pedaço do fígado, um pedaço do intestino, uma córnea. Todos esses são órgãos, ou partes de órgão, de que podemos dispor sem morrer. Mas as consequências dessas mutilações podem ser graves e muitas vezes dramáticas.

Supermercado do rim

Como salienta Sean Fitzpatrick – diretor de relações externas do Banco de Órgãos de New England (EUA) – numa entrevista concedida à revista Popular Science, a retirada de partes do fígado ou do intestino requer intervenções muito complexas que dificilmente podem ser efetuadas em clínicas improvisadas do Terceiro Mundo. A maior parte dos órgãos vendidos espontaneamente por doadores no mercado negro é constituída de rins: A extração e implantação desse órgão não exige operações particularmente complexas e não necessita de equipamentos sofisticados nem de competência de altíssimo nível.

Os principais exportadores desse “produto” são a Índia e o Paquistão onde, segundo a OMS, a cada ano pelo menos duas mil pessoas vendem os próprios órgãos a intermediários inescrupulosos. Nesses países, nos últimos anos, foram criadas organizações especializadas no turismo dos transplantes. Elas se encarregam de por em contato o doador e o comprador e organizam as intervenções em hospitais e clínicas complacentes localizadas em países do Extremo Oriente e outros situados no Hemisfério Sul. Os preços? Variam muito segundo a procedência: de 20 mil dólares por um rim indiano a 160 mil por um rim proveniente de Israel. Ao doador é dada apenas uma migalha: em média, não mais de 1.000 dólares.

Prisioneiros condenados

Se tudo isso provoca arrepios, o que acontece na China leva à náusea. O mesmo relatório da OMS comenta o que acontece no mercado chinês dos órgãos humanos oficialmente “doados” pelos prisioneiros condenados à morte (12 mil rins e 900 fígados apenas em 2005, ano em que os números foram confirmados; depois disso, as autoridades do país preferem silenciar a respeito do assunto).

Na verdade, esses órgãos foram vendidos a preço alto a outros cidadãos chineses que possuem recursos ou a pacientes estrangeiros dispostos a pagar caro para não ter de esperar numa fila de doações legais. No mercado chinês é possível comprar um rim por 60 mil dólares, e também um pâncreas, um coração ou um pulmão por cerca 150 mil dólares. Em 2012, o governo de Pequim se empenhou em proibir a retirada dos órgãos dos condenados. Mas essa proibição só entrará em vigor daqui a cinco anos…

Tudo bem, somos iranianos

Apesar de o comércio de órgãos ser proibido por todas as legislações do mundo (inclusive na China, oficialmente), existe uma exceção: o Irã, onde, a cada ano, segundo as estatísticas, 1.400 pessoas oferecem legalmente no mercado um dos seus rins por quantias que giram ao redor de 10 mil dólares.

A vida é dura também para quem decide se submeter a um transplante ilegal: segundo a OMS esses pacientes correm um duplo risco: antes de tudo pelas condições sanitárias nas quais, quase sempre, são efetuadas essas intervenções; depois, pelas escassas garantias sobre o estado de saúde dos órgãos transplantados, que podem ser veículo de infecções e de várias doenças, tais como o HIV e a hepatite.

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