Combate à miséria.

O apoio da Embrapa às políticas públicas de combate à miséria já contabiliza a instalação de mais de 300 Unidades de Aprendizagem em 14 Territórios da Cidadania localizados no Semiárido. Com 12 projetos em execução e mais cinco que iniciam suas atividades neste ano, a instituição discute ajustes entre suas áreas de pesquisa, de transferência de tecnologia e de administração para intensificar e dar maior eficiência à sua participação.

Até a conclusão dos projetos, a Embrapa deverá apresentar números ainda mais expressivos. Serão instaladas cerca de 1.300 tecnologias de captação, armazenamento e conservação das águas de chuva, como cisternas de consumo e de produção, barraginhas, barragens subterrâneas, entre outras. Viveiros para a criação de galinhas caipiras serão 110. Há, ainda, metas para a introdução de técnicas de produção e conservação de forragens, criação de abelhas, manejo dos rebanhos e instalação de pequenas hortas nos quintais das residências nas áreas rurais.

Boas práticas – As ações da Embrapa de apoio no combate à miséria tiveram início em 2012. De acordo com Fernando do Amaral Pereira, chefe do Departamento de Transferência de Tecnologia (DTT), o atual momento é de consolidar os projetos, principalmente com a otimização dos processos administrativos para aquisição de insumos e de equipamentos e contratação de construções.

A questão foi tratada na Oficina de Boas Práticas dos Projetos da Embrapa no Combate à Fome e Miséria no Semiárido, realizada na cidade de Petrolina (PE), nos dias 19 e 20 de agosto. Nela, pesquisadores e técnicos de nove Unidades da Embrapa sediadas no Nordeste e Minas Gerais apresentaram e debateram avanços e dificuldades na execução dos projetos com os chefes-adjuntos de Transferência de Tecnologia e de Administração, além do chefe da Assessoria Jurídica (AJU) da Empresa, Antônio Nilson Rocha, e de advogados que atuam nas UDs.

Segundo Fernando do Amaral, a oficina foi uma oportunidade de socializar experiências de gestão dos projetos. A participação do chefe da AJU e da equipe de advogados teve o objetivo de esclarecer procedimentos legais que dão a necessária segurança jurídica aos gestores na prática de atos administrativos. Segurança que costuma destacar a Embrapa na área pública pela eficiência de 98% na execução do seu orçamento e, o que é importante, sem restrições de ordem legal.

Aprendizagem – Existem dois tipos de projeto de combate à miséria em andamento. Um, territorial, é voltado para a implantação de tecnologias nas chamadas Unidades de Aprendizagem, a exemplo dos fogões ecológicos, plantas forrageiras e hortas. Doze deles estão em execução.

Outro tipo, o transversal, trata de temas que são comuns a todos os 14 territórios. Água, por exemplo, que é fundamental para viabilizar a implantação de outras ações e tecnologias do projeto. Outros temas transversais são os de galinha caipira, rede de multiplicação de manivas de mandioca, ações de capacitação e de divulgação de informações tecnológicas e acompanhamento, monitoramento e avaliação de impacto dos projetos da Embrapa nessa área.

De acordo com o chefe do DTT, os pesquisadores e técnicos da Embrapa e das instituições parceiras ainda enfrentam o desafio de atuar nos programas de combate à miséria “com” os agricultores e não “para” os agricultores. Nessa forma, que não impõe a adoção de tecnologias, a relação com os agricultores é marcada pelo diálogo e pela avaliação conjunta do que é viável no ambiente onde mantêm suas atividades agrícolas.

Para Fernando do Amaral, cada realidade tem sua especificidade. “Mesmo no Semiárido existem vários ambientes distintos e a tecnologia não é autoaplicável em qualquer um deles. Portanto, precisa passar por adaptações e ajustes conforme as condições do ambiente onde está localizada a propriedade”.

Ainda segundo o chefe do DTT, “o objetivo é buscar uma eficiência que torne as pessoas capazes de agregar valor à sua produção, colher alimentos e, quem sabe, dispor de um excedente que possa ser comercializado nos mercados locais. Não vamos impor tecnologias aos agricultores”.

 

Marcelino Ribeiro (MTb/BA 1127)
Embrapa Semiárido

Telefone: (87) 3866-3734

 

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